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Periodontite é silenciosa e pode afetar a saúde além dos dentes

Problema começa como uma gengivite, mas inflamação silenciosa pode gerar outras complicações de saúde.

As doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre elas, está a periodontite, uma inflamação silenciosa que pode causar perda de dentes e ainda afetar o coração, o cérebro e o controle da glicemia.

Segundo Márcio Fernando de Moraes Grisi, dentista, doutor e livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP), a periodontite é um inimigo silencioso do sorriso, pois em muitos casos evolui sem dor até estágios irreversíveis.

Mas existem sinais de alerta que devem ser levados em consideração, como o sangramento gengival, irritação, inchaço e retração na gengiva (redução do tecido da gengiva em relação aos dentes). A inflamação também pode causar aftas e mau hálito, além de mobilidade dos dentes em estágio avançado.

Mais do que uma simples gengivite

A gengivite é uma inflamação da gengiva ocasionada principalmente pelo acúmulo de placa bacteriana, uma película formada por bactérias e restos alimentares. A doença pode causar dor, sangramento e mau hálito, mas também pode evoluir para casos mais graves. Um deles, a partir da produção de toxinas pelo acúmulo nos dentes, é a periodontite, que pode prejudicar outras partes do corpo.

Com a formação da placa bacteriana onde a gengiva e os dentes se encontram, os ossos e os tecidos que sustentam os dentes podem ser irreversivelmente danificados. Sem o tratamento adequado, o paciente pode apresentar dentes soltos que acabam caindo ou sendo extraídos pela gravidade da infecção.

A periodontite também pode prejudicar o coração, o cérebro e o controle da glicemia. Isso porque as bactérias chegam à corrente sanguínea e favorecem danos aos vasos, o que aumenta o risco de AVC e doenças cardíacas e interfere na ação da insulina, dificultando o controle do açúcar no sangue.

“Sabemos que o tratamento periodontal pode melhorar parâmetros ligados ao coração e ajudar no controle glicêmico de pacientes com diabetes tipo 2”, ressalta o especialista.

Fatores de risco

Além da higiene bucal inadequada, responsável pela formação de placas bacterianas, entre os fatores de risco da periodontite está o cigarro, capaz de aumentar em até seis vezes as chances de desenvolver a doença. “O tabagismo reduz a circulação sanguínea, mascara os sintomas e dificulta o tratamento. Já o estresse pode agravar a inflamação, principalmente quando associado ao fumo”, explica o dr. Grisi.

Hábitos simples auxiliam na prevenção

O primeiro passo para uma boa saúde bucal é seguir medidas básicas de higiene. De acordo com a OMS, recomenda-se a escovação dos dentes duas vezes ao dia com pasta de dente contendo flúor. Também é importante usar o fio dental diariamente, além de ter hábitos como:

  • Manter uma dieta equilibrada, com baixo teor de açúcares livres e rica em frutas e vegetais;
  • Privilegiar a água como bebida principal;
  • Cessar o uso de todas as formas de tabaco;
  • Parar ou reduzir o consumo de álcool;
  • Utilizar equipamentos de proteção na prática de esportes e em viagens de bicicleta e motocicleta (para reduzir o risco de lesões faciais).

Além disso, marcar consultas odontológicas regularmente, a cada quatro ou seis meses, é essencial. São nestes momentos que o dentista observa precocemente sinais de inflamação. “Cuidar da gengiva é cuidar do corpo inteiro. Com informação e acompanhamento profissional, é possível evitar complicações e preservar não só o sorriso, mas a qualidade de vida”, indica o especialista.

Onde buscar atendimento odontológico no SUS

Criado em 2004, o Brasil Sorridente é uma das iniciativas do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas à ampliação do acesso à saúde bucal. O programa integra a Política Nacional de Saúde Bucal e estabelece diretrizes para ações de prevenção e para a oferta de tratamentos odontológicos, incluindo atendimentos especializados. O acesso aos serviços ocorre, em geral, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que podem encaminhar o paciente aos Centros de Especialidades Odontológicas quando necessário.

Fonte
Drauzio Varella

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