Usiminas pode sair da Bolsa de Valores após Cade aprovar avanço da Ternium? Entenda
Bloco encabeçado pela ítalo-argentina controla quase 93% da siderúrgica.

A movimentação de acionistas da Usiminas continua a gerar interesse no mercado financeiro. Na última semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou oficialmente e sem restrições a compra de todas as ações da empresa pertencentes às japonesas Nippon Steel e Mitsubishi pela Ternium. Assim, o bloco encabeçado pela empresa ítalo-argentina passa a deter 92,9% do controle da Usiminas, o que abre as portas para a retirada da siderúrgica da Bolsa de Valores, na perspectiva de analistas.
A Ternium iniciou a compra de parcela da Usiminas em 2012 e, na prática, controla a empresa desde 2023. Administrativamente, portanto, pouco tende a mudar com a aquisição das ações das japonesas. Procuradas pela reportagem, a Ternium e a Usiminas preferiram não se manifestar sobre o tema, mas, com o aumento do controle da Ternium, cresce a expectativa no mercado sobre um fechamento de capital.

No longo prazo, isso representaria uma redução de custos, analisa o líder de Produtos e Alocação na Valor Investimentos, Frederico Mourão. “Há vantagens regulatórias, porque a empresa passa a lidar com poucos sócios. Há também uma privacidade financeira maior e mais agilidade na tomada de decisão, sem a necessidade de chamar uma assembleia para tudo. Há, ainda, redução de custos operacionais, porque a Bolsa demanda documentação e formatos de compliance”, pondera.
Na perspectiva dele, o fechamento de capital da Usiminas “é uma possibilidade razoável”. Em um momento de alta pressão no mercado siderúrgico, devido às importações de aço no Brasil, e com a necessidade de altos investimentos, reduções de custo são uma prerrogativa do setor. “A Ternium tem a ganhar com isso. Esperamos algum tipo de otimização dela no Brasil, e isso passa por deixar as coisas mais simples”, pontua.
Analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi endossa que o fechamento de capital da Usiminas “faz todo o sentido” após o aumento de controle da Ternium. “É bem factível. A Ternium tem capital aberto lá fora e mantém a Usiminas aqui. Ter uma empresa de capital aberto gera um custo com auditoria e uma série de coisas. O problema é saber se isso virá agora, porque fechar também terá um custo”, avalia.
O custo do fechamento de capital está na compra das partes dos acionistas minoritários. Não há previsão de acionamento de tag along na compra – ele preconiza que, no caso de venda de ações da empresa controladora, os minoritários possam vender as suas nas mesmas condições. Mas, de forma voluntária, a Ternium pode pagar um prêmio às minoritárias, um valor acima do preço de mercado.

No caminho de tudo isso, porém, pode haver questionamentos na Justiça. Galdi lembra que a CSN, parte minoritária da Usiminas com 4,99% de participação acionária, contesta há mais de uma década as condições de controle da empresa e pode questionar as condições de fechamento de capital da siderúrgica. “Como não há tag along, pode haver uma oferta para fechamento de capital com um possível prêmio. Cabe à CSN aceitar ou não. É bem provável que, se não for um grande prêmio, isso vire uma briga”, conclui. A reportagem procurou a CSN e aguarda retorno.
Vale lembrar que a Comissão de Valores Mobiliários e o Cade avaliaram que não houve troca de controle da Usiminas e o tag along não se aplicaria no caso entre Ternium e CSN, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
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